sábado, 8 de outubro de 2011

Coração Partido (28) O ULTIMO *-*


Cinco meses depois...

                Eu não estava totalmente recuperada. Embora as feridas já tivessem cicatrizado, ainda restava uma coisa que permanecia doendo e sangrando dentro de mim. O medo. Medo de tudo se repetir, medo de eu nunca mais conseguir olhar pra Bárbara, medo de achar que a qualquer hora as pessoas podem me raptar e me levar pra longe, medo de ficar longe do Justin e da mamãe, medo de que esse medo nunca passe e, que eu não consiga seguir com a minha vida.


                Após algum tempo da internação de Bárbara, descobriram o que aquele policial tinha feito com ela e sua amiga antigamente, e mandaram prendê-lo. A Bárbara me pareceu estar indo muito bem na clínica, porém eu não tinha coragem de vê-la outra vez. Depois que a minha própria irmã fez aquilo comigo, muitas coisas mudaram na minha cabeça, eu passei a ficar mais atenta com as pessoas, me tornando, assim, uma pessoa não muito sociável.


                Já eu e Justin... Bom, eu andei conversando com ele sobre o futuro e, ele resolveu me incluir na turnê dele. Claro que eu não ia cantar, nem fazer alguma coisa to tipo. Eu iria ficar nos bastidores, o ajudando com as roupas e preparando-o antes do show. Decidimos que nas férias da turnê, iríamos estudar na escola, e enquanto estivéssemos em turnê iríamos estudar com a professora particular dele.


...
               

Era um dia em que o céu nem estava ensolarado, nem nublado. O tempo estava ameno. Lembro-me bem, era uma sexta-feira. Levantei-me cedo naquele dia, pois eu tinha que estar pronta às 07h.  


                                                                                     
Desci para a cozinha e lá estava minha mãe, colocando a mesa do café-da-manhã. Dei-lhe um beijo em sua testa e, logo em seguida me sentei à mesa.

- Pra onde você vai hoje? – interrogou ela.
- Não sei bem ao certo, mas o Justin me disse que temos uma reunião hoje pela manhã.
- Hm... – ela abaixou a cabeça, olhando para o copo de café, suspirou e voltou a falar. – Vou sentir sua falta. Sabe, eu estava acostumada a te ver todos os dias pela manhã, antes de você ir pra escola, e depois que eu chegava do serviço, mas agora as coisas mudaram. Você cresceu e arrumou um namorado, vai seguir sua vida em frente sem precisar da minha ajuda. Dói ver uma filha partir pra longe da gente. – ela continha suas lágrimas.
- Awn, mãe, não fica assim. – Sorri. – Eu também vou sentir sua falta. Mas sempre que der eu vou vir aqui te visitar, e quando a senhora puder vai me visitar também. Minha casa sempre será essa, eu vou continuar morando em Atlanta, só não vou dormir aqui todos os dias. E, mãe, a senhora também tem a Bárbara.
- Eu sei, filha. Eu amo a você tanto quanto eu amo a Bárbara. Ver uma das duas partir vai ser sempre muito difícil. Logo, logo a Bárbara vai se casar e ter sua própria casa também, e eu vou ficar aqui sozinha.
- Não vai não, eu vou te levar pra morar comigo. Imagina se meus filhos vão conseguir ficar longe da vovó.
- Filhos? – ela questionou um pouco assustada. – Não está muito cedo não?
- Calma mãe, eu apenas estava brincando. Só vou ter   um filho mais pra frente, muito mais pra frente.
- Uffa! Pensei que estivesse dizendo isso porque estava grávida.
- KKKKKKKKKKKKKKKK’ Eu não. De onde a senhora tirou isso?
- Sei lá, foi o que me passou pela cabeça.
- Aiai, só você mesmo, mãe.
                Ficamos por mais algum tempo conversando, e quando Justin chegou, fomos embora. Após uns vinte minutos, chegamos em frente a uma casa. Antes de sair, Justin me deu um selinho e disse:
- Agora sim, vou poder dizer que estamos construindo nossa vida.
- Hã? – eu estava confusa. – Como assim?
- Vamos descer que aí você vai saber do que eu estou falando.
- Ok! – disse um pouco desconfiada.


                Desci do carro e fiquei analisando cada centímetro daquela casa, desde a cor do chão até as formas das janelas. Ela era realmente linda e grande. Justin pegou em minha mão e fomos andando em direção a um homem, no qual eu não sabia quem era.

- Bom dia, Silvio!
- Bom dia, Justin!
- Bem, essa aqui é a minha namorada, Victoria.
- Prazer! – ele estendeu-me sua mão.
- Prazer é meu! – retribui seu cumprimento.
- Então, vamos ver a casa agora? – perguntou Silvio.
- Vamos sim. – respondeu Justin.
                A casa por dentro conseguia ser mais bonita do que por fora. Por mais que a decoração fosse simples, cada coisa que tinha ali dentro a tornava deslumbrante. Os moveis, o piso, os cômodos, enfim, tudo era de uma beleza inigualável. Quem decorou aquela casa, tinha um toque suave e ao mesmo tempo meio rude. Entretanto, o que eu não estava entendendo, era o que eu e Justin estávamos fazendo ali. Enquanto eu olhava os quartos, Justin ficava conversando com o Silvio na sala. Depois de conhecer toda a casa, fui ao encontro de Justin, que por acaso estava a me chamar.
- E aí? O que achou da casa? – Justin perguntou meio apreensivo com a minha resposta.
- Linda! Mas cadê o Silvio?
- Foi embora.
- Foi embora? E nos deixou sozinhos aqui?
- Sim.
- Hm...
- Você gostou mesmo da casa?
- Sim. É a casa dos meus sonhos!
- Então não vai ser mais a casa dos seus sonhos, vai ser a casa da sua realidade.
- Hã? – Do que ele estava falando? Onde ele queria chegar?  – Como assim a casa da minha realidade?
- Sabe, essa é a primeira de muitas que vamos ter mais pra frente. Acho que precisamos de uma casa para a gente morar, e criarmos os nossos futuros filhos.
- Você está dizendo que você comprou essa casa?
- Sim.
- Oh my God! Não acredito!
- Pois comece a acreditar.
- AAAAAAAAAAH’ Bieber, você é o melhor namorado do mundo! – o abracei forte.
- Eu não quero mais ser seu namorado.
- O quê? – me afastei dele sem entender absolutamente nada.
- Isso mesmo que você ouviu.
- Você está-tá terminando co-comigo? – gaguejei.
- Não exatamente.
- Hã? – eu estava mais confusa do que antes.
- Eu queria, se for da sua vontade, deixar de ser seu namorado para ser seu noivo.
- Oh my Gosh!
- Victoria Mattos! – ele ajoelhou-se e pegou minha mão. - Você quer passar o resto de toda a sua vida, ao lado de um garoto que bateu a cabeça nas portas, que chorou quando seu Hamister morreu, que terminou com uma menina por telefone, que em uma situação nada agradável mostrou o dedo do meio para os paparazzis, que ama incondicionalmente uma garota chamada Victoria, enfim, quer casar comigo?
- É o que eu mais quero. – respondi sem hesitar.  – Te amo!
- Também te amo! Ah, eu já ia me esquecendo. O que seria de um pedido de casamento, sem a aliança?
                Ele pôs a mão em seu bolso e tirou uma jóia, que eu não conseguia descrever em palavras.

- É... LINDA! – meus olhos brilhavam.
- Minha mãe me ajudou a escolher, se não fosse por ela, eu não sei o que seria de mim.
- Sua mãe tem um bom gosto!
- Hey, eu também ajudei a escolher, viu?!
- Tá bom, tá bom. Você e principalmente sua mãe tem um bom gosto.
- Engraçadinha! Deixa-me colocar o anel em seu dedo.
- Tá. – disse entregando-lhe o anel e estendendo minha mão.
- Te amo! – ele disse após colocar o anel.
- Te amo mais! – dei-lhe um selinho.
- Promete que você vai estar comigo pra sempre? Em momentos de alegria e de tristeza?
- Prometo! Eu não consigo mais viver sem você. Sabe quando uma pessoa é totalmente dependente da outra? Então, eu sou dependente de você.
- É por isso que eu digo que você é minha morfina. Você é perfeita!
- Você que é perfeito!

                Palavras. Bom, não era isso que descrevia o Justin, e sim atos. Cada coisa que ele fazia me deixava ainda mais apaixonada por ele. Há um tempo atrás eu era uma garota de coração partido, e hoje eu posso dizer que sou a garota mais feliz de todo o universo. Tudo o que aconteceu foi Deus que quis que acontecesse. Tudo o que eu passei serviu para me aproximar mais do Justin.
                O futuro eu ainda não sei como vai ser, mas as coisas que vierem, sejam elas boas ou ruins, eu e Justin enfrentaremos juntos. E assim vai ser até o dia em que eu morrer.




           

Coração Partido (27)


Logo mais a noite, eu li uma carta da Bárbara onde dizia o que havia de fato acontecido com as duas.

“Eu não queria te dizer isso por carta, mas estou sendo praticamente obrigada, já que você está longe de mim agora. Faz bastante tempo. Quando eu voltava da escola pra casa, um policial sempre me parava pra perguntar coisas sobre mim, como eu era criança respondia na maior inocência. Um dia qualquer, ele me chamou pra dar uma volta em seu carro, mas eu não aceitei. Passaram-se alguns dias e ele começou a insistir, eu então acabei cedendo e entrei no carro dele. Logo após uns minutos, chegamos ao destino final. Era uma casa simples, porém bonita. Quando eu entrei, vi uma menina sentada no sofá assistindo TV, ela aparentava ter a mesma idade que eu. O policial, que se chamava Sérgio, nos levou até seu quarto alegando ter presentes que ele iria dar pra nós. Entretanto, quando chegamos lá, ele começou a falar coisas totalmente estranhas e sem lógica. Umas das coisas que ele nos disse e que eu jamais irei me esquecer é: ‘Vamos brincar um pouquinho! ’. Bom, foi esse ‘brincar’ que me fez deixar de ser virgem. Eu só tinha 10 anos. A partir desse dia, ele começou a me levar pra casa dele todos os dias, a força. A Aline, a menina que sofria junto a mim, passou a ser minha amiga. Até que chegou um dia, em que o Sérgio levou um amigo seu para sua casa, e no fim eles acabaram brigando feio. No fim, tudo acabou em muito sangue. Não sei de onde, mas só sei que atiraram no amigo do Sérgio. Eu o vi morrer, ele sangrava muito e me pedia ajuda, a Aline estava chorando ao ver aquilo tudo. Perguntei a Sérgio quem tinha disparado o tiro, e ele me respondeu que foi um atirador de elite. Dias se passaram, eu fiquei com tanto medo que pedi pra que minha mãe me tirasse do meu antigo colégio, pois era lá que ele sempre ia me buscar. Após algumas semanas com a minha insistência de não querer ir pra casa dele, ele começou a me ameaçar, dizendo que tinha um atirador de elite poderia dar um tiro em minha cabeça a qualquer hora. Passaram-se alguns anos e por motivos pessoais, ele acabou se afastando de mim e de Aline, para a nossa felicidade. Mas até hoje eu levo o medo de que tudo aquilo aconteça de novo, e que eu encontre um atirador. Vai saber por onde eles andam? E se do nada eles atirarem?
Eu sei que isso é triste, mas eu precisava te contar. Estou te esperando, sinto sua falta!
Beijos, Babie!”


Eu só não contei nada a minha mãe, porque ouvi Bárbara dizer que se mamãe ficasse sabendo, ela se mataria. Ao decorrer do tempo eu comecei a esquecer disso, mesmo que fosse impossível esquecer totalmente.



Voltando a realidade...

Depois de um tempo, a Bárbara e o policial começaram a negociar. Eu não estava entendendo um grama do que eles diziam. Isso ocorreu lá pelas dez horas da noite, e depois de mais ou menos umas quatro horas, eu e Justin fomos finalmente libertados. A Bárbara foi internada em uma clinica de reabilitação por causa das drogas, e o Pedro foi preso já que ele era maior de idade. Minha mãe e Pattie estavam super aflitas. Eu tinha que ir para o hospital fazer corpo de delito.  

- Filha, quem vai com você ao hospital é a Pattie e o Justin, porque eu tenho que levar a Bárbara pra clínica, tem muitos papeis pra assinar lá. Tudo bem pra você?
- Claro mãe.
- Mas não se preocupe, assim que eu terminar com a papelada lá, eu vou te ver no hospital.
- Ok, mãe.
- Tchau! – Ela me deu um beijo no rosto.
- Ai! – Reclamei, pois meu rosto estava todo machucado.
- Desculpa!
- Tudo bem. – Sorri.
- Vamos Victoria? – Pattie perguntou chegando perto da gente.
- Vamos sim. Tchau mãe.
- Tchau meu amor.

Entramos na ambulância e em seguida fomos para o hospital. Chegando lá, eu e o Justin fizemos um monte de exames. Eu estava cheia de cortes, cheia mesmo. Meu short estava todo sujo, não só de sangue, mas também de uns líquidos que a Bárbara e o Pedro haviam jogado em mim. Depois de tomar um belo banho, no hospital mesmo, eu me deitei na cama.

- Como você está amor? – Justin perguntou após entrar no quarto.
- Melhor, e você?
- Se você está melhor, eu estou também.
- Awn, que fofo! Mas por que essas olheiras?
- Eu não dormi nessa noite passada.
- Por quê?                                                                                                                                                                       
- Porque eu estava chorando.
- Chorando? Por qual motivo?
- Pelo simples motivo de que, a minha namorada disse que estava tudo acabado entre a gente, no meio da noite.
- Ain, desculpa por isso, é que eu fui obrigada a falar aquelas coisas pra você.
- Tudo bem, o importante é que estamos juntos agora.
- É!
- Ah, eu já ia me esquecendo de dizer. Quando você receber alta, nós teremos que ir a delegacia prestar depoimento.
- Ok, amor.
- Eu vou querer saber de tudo, nos mínimos detalhes.
- Acho que você não vai gostar de saber tudo.
- Não importa, eu quero saber assim mesmo.
- Tá bom. Posso te fazer uma pergunta?
- Você já está fazendo.
- Bobo!
- Pode sim, fala aí.
- Você e a Bárbara já ficaram?
- Hã?
- Vocês já se beijaram ou algo do tipo?
- Por que você está me perguntando isso?
- Responde logo Justin, para de me enrolar.
- Tá bom, tá bom. Sua irmã vivia se insinuando pra mim, mas eu nunca dei bola. Às vezes ela chegava a tentar me beijar, e eu a impedia. Eu tinha medo de, sei lá, contar pra você e você não acreditar em mim. Ela ficava dizendo que ia te dizer que eu e ela tínhamos um caso, só que na verdade era mentira. Eu não queria te perder.
- Você nunca teve nada com ela?
- Claro que não. Nunca! Por que está me perguntando isso?
- Porque a Bárbara falou que tinha ficado com você.
- E você acreditou nela?
- Não, mas eu só queria tirar a prova.
- Oun, meu amor. Pode ter a certeza de que enquanto estivermos juntos, jamais em hipótese alguma eu irei te trair.
- Jura?
- Juro. – Ele sorriu e me deu um selinho.

...

Coração Partido (26)


       Nós estávamos correndo em direção a saída, quando, pra nossa infelicidade, a Bárbara apareceu na porta, empatando a nossa passagem.
- Onde pensam que vão os dois pombinhos? – Colocou a mão no bolso e puxou uma arma, apontando-a pra nós.
                Paramos imediatamente e começamos a recuar. Conforme íamos andando pra trás, Bárbara vinha se aproximando da gente, ainda mantendo a arma apontada pra nós.

- Abaixa essa arma Bárbara! – Victoria falou.
- Eu disse que se seu namoradinho viesse, iriam morrer os dois.
- O que você quer? Qual a sua intenção? Por que vai matar a gente? – Perguntei.
- Você é igualzinho a Vic, pergunta demais.
- Bárbara, por favor, deixa ele sair. – Victoria se pôs em minha frente.
- Não amor, quem vai é você e não eu. Por favor, Bárbara deixa a Victoria sair. – Disse colocando-a atrás de mim.
- Parem com essa melação. Agora quem vai morrer são os dois, ninguém vai sair daqui.
- Não Bárbara, por favor, não faz isso. – Victoria estava apavorada.
- Preferem morrer separados ou os dois de uma vez só?
- Nenhum dos dois, abaixa essa arma.

Como se ela fosse mesmo escutar algo que eu digo._ Ela foi chegando bem mais perto de nós e quando ia puxar o gatilho, ouvimos alguém gritar: “Abaixa essa arma!”. A voz não era conhecida, pelo menos eu não conhecia. A Bárbara virou-se lentamente para trás e, quando viu que se tratava da polícia avançou em cima da Victoria e apontou a arma pra cabeça dela. Eu fiquei muito mais desesperado ao ver aquilo. Preferia que fosse eu no lugar da Victoria.
- Justin, vem aqui pra perto de mim. – Bárbara ordenou.
- Deixa ele fora disso. – Victoria disse.
- Cala a boca. – Bárbara disse batendo a arma na cabeça da Vic.
               
          Tentei ser o mais rápido possível, me aproximei das duas, ficando ao lado delas. A Bárbara sacou outra arma e apontou pra mim.
                                      
Mode Justin off


...


Mode Victoria on

                Parecia àqueles filmes em que a vilã ameaça a mocinha com uma arma na cabeça. Bem que eu queria que fosse apenas um filme mesmo, só que infelizmente não era. A Bárbara pressionava a arma contra a minha cabeça com muita força. Os policias estavam meio distantes da gente.

- Não se aproximem. – Bárbara falou.
- Solta ela, e se entrega! – Um dos policiais disse.
- Não, eu não vou soltar e nem me entregar.
- Olha, eu não quero que saiam feridos daqui, e se você machucar algum dos dois, poderá sair mais ferida do que eles. Então acho melhor negociarmos.
- Eu não quero negociar nada. Saiam daqui!
- Eu estou avisando que é melhor. Temos um atirador de elite por aqui.
- Um atirador de elite?
- Isso mesmo. Vamos negociar?
- Vamos. – Ela parecia estar com medo.              

          
             Nunca entendi muito bem do por que, mas a Bárbara sempre morreu de medo de policias e atiradores. Lembro-me muito bem quando éramos crianças e brincávamos na rua, ela sempre corria quando escutava uma sirene. Eu até já perguntei pra mamãe sobre isso, perguntei se ela sabia porque da Bárbara ter medo de policias e ela disse que não sabia. Quando eu tinha uns 14 anos, escutei sem querer uma conversa entre a Bárbara e uma “amiga” sua.



Vamos voltar um pouco no tempo...

- Eu estou com medo, estou com medo de que aconteça tudo de novo. – Bárbara estava com uma expressão apavorada.
- Não se preocupa, não vai acontecer mais nada. Afinal, ele foi demitido. – Disse sua amiga.
- Eu sei disso, mas e se ele vier atrás de mim? O que eu faço?
- Ele não vai vir, ele não vai vir. O Ricardo já está cuidando disso, ele vai nos proteger.  
- O que eu tenho mais medo é da minha mãe ou minha irmã descobrir tudo.
- Nem fala isso, elas nunca podem saber. Se não vamos acabar indo para delegacia prestar depoimento.
- É mesmo. Mas eu não consigo me esquecer daquela cena. Ai meu Deus!
- Calma Bárbara, calma.

 Eu não entendi absolutamente nada do que elas falavam. E foi só depois de alguns dias, que eu descobri que se tratava de uma coisa extremamente severa, uma coisa que eu não quero em hipótese alguma ver um dia. Eu estava na cozinha, quando Bárbara e a amiga dela estavam tendo outra conversa do mesmo assunto.

Eu... Eu estou só o caco. Nunca imaginei que ele fosse capaz de fazer isso de novo.
- Calma amiga, nós vamos conseguir dar um jeito nisso. – Bárbara tentou acalmá-la.
- Agora quem está com medo sou eu.  

[O celular da Bárbara tocou] Ela atendeu e colocou no viva-voz.
               

--- Ligação ---*

- Alô!
- Alô! Bárbara, aqui é o Ricardo.
- Ah, oi Ricardo.
- Fiquei sabendo do que aconteceu.
- Ér... Aconteceu outra vez.
- Me conta como foi?
- Tá, foi assim: Nós estávamos andando pela rua, e aquele policial nos parou. Eu fiquei morrendo de medo que tudo acontecesse outra vez, mas ele começou a falar e disse que aquilo não iria acontecer novamente. Então ele nos chamou pra ir a casa dele. E nós fomos.
- Cara, que mancada. Vocês não deveriam ter ido.
- É eu sei que fomos burras. Mas ele nos garantiu que era somente pra se desculpar. Bom, continuando a história... nós fomos pra casa dele e chegando lá, ele nos levou para o seu quarto.
- Não acredito. Vocês caíram de novo.
- Pois é! Quando nós entramos no quarto, vimos dois caras enormes sentados numas cadeiras que tinha lá. Aí nós perguntamos quem eram aqueles caras, e ele nos respondeu que fazia parte da festinha. Bom, acho que o resto eu nem preciso dizer, né?
- Não precisa mesmo não. Olha eu tô indo para aí, buscar vocês duas. Tchau!
- Ok! Tchau!

--- Ligação ---*

Coração Partido (25)


- Eles estão vindo? – Perguntei.
- Eles disseram que já estão chegando.
- Ótimo! Mas se eles demorarem eu vou entrar de qualquer jeito.

Mode Justin off


...


Mode Victora on

- Bárbara, por favor, o meu cabelo não.
- O seu cabelo sim. Chega dessa cabeleira, depois que você estiver morta não vai adiantar de nada você ter cabelos grandes.
- Já chega Bárbara. Você já me cortou todinha, por favor, os cabelos não.
- Eu que decido as coisas aqui, queridinha.
                Ela passou seus dedos entre meus cabelos alisando com delicadeza, e quando chegou às pontas ela puxou com toda força, fazendo com que minha cabeça inclinasse para trás violentamente. Em cima da mesinha havia uma tesoura, Bárbara pegou-a e se aproximou de mim. A cada punhado de cabelo que ela cortava, uma lágrima escorria em minha face. Como se já não bastassem os cortes nos meus braços, nas minhas pernas, na minha barriga, e até no meu rosto. Eu não entendo como pessoas como ela, existem nesse mundo.

- Assim ficou muito melhor! – Ela riu debochando de mim. – Vou ali chamar o Pedro, porque agora é a vez dele.

Já faz mais de doze horas em que eu estou aqui. Não sei porque que a Bárbara ainda não me matou, acho que ela quer me ver sofrer mais e mais. Eu fico impressionada com a capacidade que ela tem em sorrir ao me ver sofrer. Durante todo esse tempo em que eu passei aqui, ela cortou a minha outra coxa, os meus dois braços, fez alguns pequenos cortes na minha barriga, cortou também minhas costas e arranhou meu rosto. Os cortes não eram fundos, nem muito feios, ela só me cortava pra ver sair um pouco de sangue. Cada minuto que eu passava ali era uma tortura, literalmente. Quando não era a Bárbara, era o Pedro. Eu já não aguentava mais, eu preferia morrer de pressa a ficar naquele sofrimento que parecia ser sem fim. O Pedro tinha me feito beijá-lo algumas vezes, tudo por pura chantagem, ele dizia que se eu não o beijasse iria tirar meu short e meu sutiã, desse modo eu era praticamente obrigada a beijá-lo.

- Voltei meu amor! – Ele passou sua mão em meu rosto. – Sentiu minha falta?
- Nenhum pouco!
- Ah é? Tem certeza que não sentiu falta dos meus beijos e do meu cheiro?
- Absoluta certeza.
- Pois se eu fosse você, não diria essas palavras.
- Por que, se é essa a verdade?
- Porque eu posso fazer algo que eu queira com você, e você não gostar.
- Tipo o que?
- Tipo isso... – Ele me selou a força.
- PARA!
- O que você disse? Por acaso foi um “continua”? – Ele deu um selinho no canto da minha boca.
- PARA, PEDRO!
- Você quer mais? Nossa, que fogo... Hein?!
                Mais uma vez ele segurou minha cabeça, e me beijou a força. E ficou mais alguns minutos me atormentando.
- Agora é a sua escolha: Ou você me beija ou eu vou...
- NÃO! – Gritei interrompendo-o.
 - Já que você não vai fazer porque quer, eu faço você querer. – Disse ele colocando suas mãos na parte de trás do sutiã, onde ataca e desataca.
- NÃAAAAAAAAAAAAAAAO!

Mode Victoria off


...


Mode Justin on

                Eu passei na frente daquela casa umas 9278137120371 vezes (sem exagero). Ficava andando de lá pra cá observando a movimentação dentro da casa. Eu estava me segurando pra não entrar lá.

- Filho tenta se acalmar, a polícia já, já está por aí.
- Eu estou tentando mãe, estou tentando. A polícia está demorando muito.
- Eu sei disso, mas só entre aí quando eles chegarem.
- Ok, ok. Vou me segurar.
                Esperar a polícia chegar. Bom, essa era minha intenção, até ouvir alguns gritos... “NÃAAAAAAAAAAAAAAAO! POR FAVOR, NÃO! JUUUS...”. Meu impulso foi mais rápido que eu mesmo. Minha mãe gritou dizendo pra eu não entrar, mas eu nem dei ouvidos. Eu sabia que era ela, eu reconhecia aquela voz. Entrei correndo naquela casa, e me deparei com um imbecil querendo abrir o sutiã da minha namorada.

- Justin! – Victoria falou um pouco aliviada, e como se quisesse dizer “Me tira daqui logo, por favor!”.
- Calma amor! Eu vou te tirar daqui. – Empurrei aquele garoto, que foi parar no chão com a força do empurrão. – O que você estava fazendo, idiota? Só eu toco nela.
- Cala a boca e sai daqui, mane.
                Na hora eu mal ouvi o que ele tinha falado, eu só estava olhando a Vic... Ela estava toda machucada, cheia de cortes e arranhões por todos os lugares. Aquilo estava me matando. Desabei a chorar ao vê-la naquele estado.
- O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA NAMORADA SEU IMBECIL? – Parti pra cima dele.
                Enquanto eu enchia aquele garoto de murros, Victoria gritava pra eu parar. Mas só depois que eu vi que ele já estava inconsciente que eu parei de bater. Eu mal podia me imaginar fazendo isso um dia, mas pelas pessoas que eu amo, eu sou capaz de fazer tudo e mais um pouco.

- Amor, me desamarra...
                Corri até ela e a desamarrei. No lugar onde estavam amarradas as cordas, tinham marcas vermelhas, que, provavelmente foram provocadas pela força em que aqueles animais a amarram. Após se levantar da cadeira, ela me abraçou forte, muito forte mesmo. Não sei como ela ainda tinha forças.
- Te amo! – Ela sussurrou em meu ouvido.
- Também te amo, meu amor! Nada de mal mais vai acontecer com você.
- Desculpa...!
- Pelo quê?
- Por ter dito aquelas palavras pelo celular.
- Tudo bem, você só precisa me garantir que você ainda é minha namorada e que me ama.
- Eu garanto. – Ela sorriu. – Te amo, Justin!
- Assim é melhor! – Sorri também. – Agora vem, vamos sair daqui. – Disse puxando-a pelo braço.

...

Coração Partido (24)


- Vocês nunca atrapalham, eu sei que isso é uma boa causa. E bom, eu tenho a memória muito falhada, lembro de pouquíssimas coisas que acontecem recentemente, mas é só eu fazer uma forcinha... – Ela olhou pro teto, fez uma cara pensativa, e depois voltou a falar. – Não me lembro muito bem, porém acho que eu ouvi eles falarem do bairro chamado Sweet... Sweet Auburn. Lembrei!
- Sweetw Auburn? Não sei onde fica. Você sabe Laura?
- Não, mas o Scooter deve saber, liga pra ele.
- Tá, vou ligar. – Falei já pegando o meu celular.



--- Ligação ---                                           

- Alô!
- Scooter, onde você está agora?
- Acabei de sair de uma reunião, por quê?
- Preciso de você aqui.
- Pra quê?
- Você pode vir ou não?
- Tá bom, já estou indo. Onde é que você está?
- Estou na casa da Sra. Cavalcante, minha vizinha.
- Ok! Já, já eu chego aí.
- Tá, tchau!

--- Ligação ---
                  
          

- Ele já está vindo para aqui, vamos esperar. – Falei.
- A Pattie já sabe disso querido? – Laura perguntou.
- Nossa! Não sabe não. Vou ligar pra ela vir aqui.
- Ok!



--- Ligação ---

- Oi, filho! Como foi com a Vic?
- Mãe, a senhora pode vir aqui na casa da Sra. Cavalcante?
- Na casa da Sra. Cavalcante? Por que você está aí?
- Longa história mãe, não dá pra falar pelo celular. A senhora vem?
- Sim, já estou chegando aí.
- Ok! Tchau, beijos!
- Tchau!

--- Ligação ---



Alguns minutos depois minha mãe chegou. Logo depois Scooter chegou também.

- E então, filho... Pode falar.
- É o seguinte... A Bárbara saiu com a Victoria nessa madrugada, e o que tudo indica é que ela provavelmente sequestrou a Vi. E a Sra. Cavalcante ouviu a Bárbara falar de um lugar chamado Sweet Auburn. Por acaso vocês conhecem esse lugar ou sabem onde se localiza?
- Conheço sim... É um bairro e eu passo por lá todos os dias. – Scooter falou.
- Sério? Oh my God! Então, por favor, me leva lá?
- Claro. Eu sei o quanto você ama a Victoria. Eu vou te ajudar, cara.
- Obrigado, Scooter. – O abracei. – Vamos? – Eu estava extremamente apressado.
- Eu vou com você, filho. – Minha mãe falou.
- Eu vou junto. – Laura disse.
- Sra. Cavalcante, obrigado pela ajuda! Muito obrigado mesmo!
- Por nada, queridos! Se precisar de algo, pode contar comigo.
- Obrigado! Bom, nós vamos indo agora. Tchau!
- Tchau!

                Ela nos levou até a porta, e de lá entramos no carro do Scooter, rumo ao bairro Sweet Auburn. Que casa estávamos procurando? Pra falar a verdade não sabemos qual era, mas vamos bater de porta em porta se for preciso pra achar a Victoria. Passamos a tarde rodando praticamente o bairro inteiro e não achamos nenhuma casa que dava vestígios de um sequestro. Já era tarde, ia dar umas nove horas da noite. Foi quando decidimos procurar nos bairros mais próximos. Eu não descansaria até achá-la. Meus olhos já estavam vermelhos, eu não tinha dormido na noite passada, nem forças pra chorar eu tinha. Eu estava só o bagaço! Mas mesmo assim eu tinha forças pra procurar a Vi, eu precisava dela ao meu lado, precisava saber que ela estava protegida, precisava aquecê-la em meus braços.

- Olha, veja aquela casa ali. – Scooter apontou para uma casa que aparentava estar abandonada. – Deve ser essa casa, é a única em que está nesse estado, desgastado.
- Eu espero que seja. Quero dar fim a esse sofrimento. – Falei com esperanças. – Para o carro Scooter, vou até lá.
- Ok! – Ele estacionou o carro uma casa antes. – Você tem certeza de quer ir lá? Pode ser perigoso.
- Tenho certeza sim.
- Filho, acho melhor chamarmos a polícia primeiro, é mais seguro. – Minha mãe parecia aflita.
- Tudo bem, mas de qualquer jeito eu vou entrar lá.
- Ok! Mas espera a polícia, tá?!
- Tá bom, mãe.
- Scooter, liga pra polícia, por favor. – Laura perdiu.
- Ok!



--- Ligação ---

- Alô! Delegacia de polícia. Quem fala?
- Oi, aqui é o Scooter.
- Então Scooter, em que podemos ajudá-los?
- A namorada do meu amigo foi sequestrada, e estamos em frente a suposta casa onde a sequestradora trouxe a garota. Precisamos que vocês venham aqui.
- Me diz o endereço, por favor.
- Eu não sei o endereço daqui, mas é só você vir reto pelo bairro Sweet Auburn, e depois da estrada de terra e do campo tem umas casas meio velhas.
- Acho que sei onde fica. Já estamos chegando aí.
- Ok, obrigado! Tchau!
- Tchau!

--- Ligação ---

Coração Partido (23)


- Eles vão chegar a tempo... Eu sei que vão.
- Hahaha’ Mas não vão mesmo. Ninguém sabe dessa casa aqui, queridinha. Seria impossível achar uma casa que nem no mapa está localizada.
- Mas eles vão conseguir...
- Não vão. E se seu namoradinho por acaso achar isso aqui, é capaz dele morrer junto com você.



Mode Justin on*

                A noite parecia ser longa, e o sono parecia nunca chegar. Não sei por que meu coração ficava mais apertado a cada segundo. Uma tristeza estava me tomando, eu já estava começando a ficar agoniado. Uma imagem horrível vinha em minha mente toda vez que eu fechava meus olhos... A Victoria manchada de sangue. Eu mal podia imaginar a Victoria com um pequeno corte, quanto mais ela cheia de sangue.

Teve uma hora que eu não aguentei e liguei pra ela, queria saber se estava tudo bem. Quando eu ouvi sua voz, fiquei um pouco aliviado, pois eu achava que era sinal de as coisas estavam normais. Eu estava com uma imensa vontade de vê-la pessoalmente, mas quando eu pedi para ir a casa dela, ela negou. Bom, eu não entendi direito, ela provavelmente diria o contrario e ainda me ajudaria se eu quisesse escalar sua janela. Quando ela falou que precisava me dizer uma coisa, eu fiquei com esperança de que fosse um: “Me arrependi de ter dito não... Vem logo para aqui.”, mas o que ela me disse foi: “Eu acho que não sou a melhor garota pra você.”. Na hora me fiz de bobo, achei que fosse uma brincadeira dela, mas logo depois ela me disse que iria ser melhor pra nós dois. _ Como assim melhor pra nós dois? Eu não consigo viver sem a Victoria... Ela é a pessoa em que me mantêm vivo aqui neste mundo. Ela é a única razão pela qual me faz ter vontade de continuar respirando. Eu jamais viveria sem ela, jamais! Um coração não funciona quando a outra metade está separada da outra metade, é assim comigo e com ela... Separados não funcionamos. Ela é minha morfina, e eu já estou totalmente viciado nela. Não posso, não consigo e não vou deixá-la ir embora dessa maneira._ Pra completar meu sofrimento, ela me disse para não procurá-la mais._ Nem apenas amigos poderíamos ser? Isso já é demais. Não vou aguentar!_ Eu ainda tinha esperanças de que ela estivesse apenas brincando comigo, mas ela disse tchau antes mesmo que eu pudesse me manifestar. Assim que ela desligou o celular, eu desabei a chorar. Eu não conseguia me imaginar sem ela. Nunca havia sentido o que eu estava sentindo naquele momento, a dor em meu coração era maior do que eu podia imaginar que poderia sentir um dia.

               Eu não consegui dormir, passei a madrugada inteira chorando em meu travesseiro, que já estava molhado. Logo que o sol apareceu, minha mãe veio me acordar, pois estávamos em plena quarta-feira dia de aula. Assim que ela notou que eu estava chorando, veio saber a causa por eu estar daquele jeito.
- O que aconteceu, meu filho? – Perguntou ela, enquanto acariciava meus cabelos.
- A Vi...                                                                                                    
- O que tem a Victoria?
- Ela... terminou comigo. – As palavras mal conseguiam sair da minha boca.
- Por que, filho?
- Eu não sei mãe, não sei.
- Como não sabe? Pra se terminar um namoro tem que ter um motivo, ainda mais quando esse namoro dura meses.
- Pois é, mãe! Ela não me deu resposta... Ela só disse que iria ser melhor pra nós dois... Como se eu fosse ficar feliz com o termino do nosso namoro.
- Você fez algo de errado pra que ela tomasse essa decisão?
- Que eu saiba não.
- Estranho! Pelo que eu conheço da Victoria ela nunca faria isso sem uma boa causa. Acho que você deve ir procurá-la, filho.
- Mas ela disse que não quer mais que eu a procure.
- Você precisa de uma explicação, não precisa?
- Preciso sim.
- Então você tem o direito em saber o por que do fim do namoro de você dois.
- Será?
- Claro!
- Então eu vou procurá-la agora mesmo.
               
                 Dei um pulo da cama, e fui ao banheiro. Após ter feito minha higiene pessoal, e ter dado um toque no meu cabelo, desci correndo e saí de casa sem ao menos ter dado tchau para minha mãe.
                Após a mãe de Victoria ter aberto a porta, eu fui logo perguntando onde ela estava sem ao menos ter dito oi. Mas ao perceber que ela estava com uma expressão triste e com o rosto inchado, fiquei preocupado.

- Está tudo bem com a senhora?
- Não, não está.
- O que aconteceu?
- Entre! Vou te explicar tudo.
- Ok! Com licença! – Eu disse entrando e já indo me sentar no sofá.
- Bom, tudo começou quando ouvi alguns passos fora do meu quarto, eu então deduzi que fosse a Victoria ou a Bárbara, e logo voltei a dormir outra vez. Hoje pela manhã, fui ao quarto das duas, mas nenhuma se encontrava em seus respectivos quartos. Liguei então para a Victoria na esperança de encontrá-la, mas só dava caixa-postal. Resolvi então ligar para a Bárbara e perguntá-la se ela sabia noticias da Victoria, mas ela disse que não sabia onde a Vic se encontrava. E mesmo preocupada tentei seguir minha rotina normalmente. Fui à padaria, e lá encontrei uma vizinha nossa, que me disse ter visto a Victoria saindo junto com a Bárbara no meio da madrugada. Decidi ligar novamente para a Bárbara e perguntá-la o que estava realmente acontecendo de fato. Quando ela atendeu, pude ouvir alguém falar “Vamos matá-la... A Vic está dando trabalho demais.”, eu então perguntei o que estava acontecendo, e Bárbara respondeu que nada de anormal estava acontecendo. Eu, ainda desconfiada, perguntei onde ela estava, e ela me respondeu que estava na casa de seu namorado. Ela disse que precisava desligar o celular, e quando eu ia perguntar sobre a Victoria, ela desligou.
- Então a Bárbara sequestrou a Vi? – Eu estava totalmente espantado.
- Eu ainda não posso afirmar com todas as palavras que a Vic foi sequestrada, porém é o que tudo indica. Eu já me informei se a Bárbara estava na casa do namorado dela, mas ela não está. Faz pouco tempo que eu liguei para a polícia, e eles me disseram que só poderiam registrar o caso depois de 24 horas. Como eu tenho um amigo policial que está de folga, eu pedi a ele pra que me ajudasse, e ele me disse que vai apurar os fatos.
- E quem é essa vizinha que lhe disse que viu a Vi saindo de madrugada?
- É a Sra. Cavalcante. Por quê?
- Porque eu pensei que ela poderia ter escutado algo mais. Sei lá, talvez um endereço.
- Boa ideia! Vamos lá falar com ela.
                         
               Nós praticamente voamos até a casa da nossa vizinha, que ficava após algumas casas da minha casa. Batemos em sua porta, e ela nos abriu com um sorriso.

- Olá! Entrem, por favor!
- Com licença! – Eu e a mãe da Victoria, a Laura, dissemos juntos.
- Em que posso ajudá-los, queridos?
- Primeiramente queremos pedir desculpa por incomodá-la a essa hora, mas é que queríamos saber se a senhora teria ouvido algo que nos ajudasse a encontrar a Victoria. – Laura falou.

...

Coração Partido (22)


- Bárbara, isso tá doendo! – Eu podia ver o sangue saindo do corte.
- É pra doer mesmo. – Deu uma risadinha malvada. – E vai doer muito mais.
                Ela ia cortando a outra perna, quando alguém a chama.
- Que foi? – Perguntou ela se virando para ver quem tinha a chamado.
- Tem alguém ligando pro celular da Victoria. – Disse Paulo mostrando meu celular.
- Tá sem identificação?
- Não... Aqui tá dizendo: “Justin chamando”.
- Hm... O namoradinho da Vic... Que babaca! Liga pra namoradinha de madrugada, aff’ que melação!    Me da aqui o celular. – Ela estendeu a mão.
- Toma. – Paulo disse ao chegar mais perto da Bárbara.
- Valeu! – Ela pegou o celular. – Fala pra ele que você o odeia, que não quer mais o ver e que está tudo terminado entre você e ele.
- Mas isso é mentira.
- Anda, diz logo o que eu mandei.
                Ela atendeu o celular e o colocou em meu ouvido.


--- Ligação ---

- Alô, amor?! – Justin falou.
- Oi, Justin!
- O que você está fazendo?
- Bom, eu estava dormindo até você me acordar.
- Hahaha’ Desculpa! Eu precisava ouvir sua voz. Não estou conseguindo dormir direito... Sinto que acontecerá algo de ruim.
- Ah, não vai acontecer nada de ruim não.
- Eu espero que não mesmo! Posso ir aí ficar com você?
- NÃO! Quer dizer... Não.
- Por quê?
- Justin, preciso te dizer uma coisa.
- Fala.
- Eu acho que não sou a melhor garota pra você. – Comecei a chorar baixinho.
- Hã? Não entendi.
- Justin, eu sei que você entendeu. Não torne as coisas mais difíceis, por favor.
- Você está terminado... comigo?
- Vai ser melhor pra nós dois.
- Por quê? Por que você está fazendo isso comigo? Eu te amo, Vi! – Ele disse com uma voz de choro.
- Você vai encontrar alguém que te merece.
- Não, eu só quero você! Por favor, não faz isso comigo.
- Desculpa Justin, mas agora não dá pra voltar atrás. Por favor, não me procura mais.
- Victoria...
- Tchau! – O interrompi.

--- Ligação ---


                Assim que a Bárbara desligou o celular, eu desabei a chorar. Aquelas palavras que saíram da minha boca doíam mais do que qualquer corte. Eu sei que eu poderia morrer ali mesmo, e eu não queria que minhas últimas palavras fossem aquelas. A Bárbara sabia muito bem me torturar. Ela sabia que às vezes as palavras doíam mais do que qualquer coisa pra mim.

- Ount, a coitadinha está de coração partido agora? HSUAHSUAHSUAHSUA’ Que lindo!
- Você é uma cobra! Te odeio!
- Também te odeio, irmãzinha!   
                Ela foi andando pra saída, e mais uma vez desapareceu. Fiquei ali sozinha novamente. O que mais me doía era saber que eu não podia nem ao menos me despedir das pessoas que eu amo, isso era horrível. Eu sei que a Bárbara teria sim coragem de me matar, já que ela matou o papai. Eu queria sair dali, queria ir pros braços de Justin novamente, olhar em seus olhos e dizer que eu o amo, eu queria que tudo aquilo que estava acontecendo fosse apenas um pesadelo. Eu ainda não entendo o por que da Bárbara ser assim... Não entendo por que ela é tão má, tão sem coração.

                Pude notar que se passou um bom tempo. O dia já estava esclarecendo, pude ver pelas janelas os raios de sol entrando e esquentando a minha pela. O corte já estava cicatrizando, mas eu ainda estava chorando.

- Oi amor, vamos brincar um pouquinho? – Disse Pedro se aproximando.
- Pedro, Pedro! Me tira daqui...
- Ah, vamos brincar, por favor... Vai ser divertido!
- Pedro, o que você vai fazer?
- Brincar, eu já disse.
                Ele se aproximou mais de mim, seu rosto ficou a poucos centímetros do meu, e quando ele foi me beijar eu virei o rosto.
- Por que você não quer me beijar? Você não tem mais namorado...
- Eu não quero te beijar porque eu não tenho vontade.
- Mas você vai me beijar. Nem que seja a força...
                Ele segurou minha cabeça com muita força e me deu um selinho. Eu fiquei pressionando meu corpo contra a cadeira. Depois que ele se afastou, eu cuspi no rosto dele.
- Cachorra! Por que você fez isso? – Ele limpava seu rosto com muita força, que provavelmente seria por causa da raiva.
- Você ainda me pergunta por quê?! – Eu fazia cara de nojo.
 - Sua... Sua... Aaaah’ – Ele me deu uma tapa no meu rosto.
                Eu virei meu rosto, que depois da tapa havia ficado vermelho, com os cincos dedos dele marcado em minha face. Ele puxou o meu cabelo pra trás, me fazendo quase cair junto com a cadeira.
- Você ainda vai me pedir pra eu te beijar... Você ainda vai suplicar por isso...
                Se não bastasse uma tapa no rosto e um puxão de cabelo, ele por pura maldade rasgou minha blusa, me deixando apenas de sutiã e short. Após um longo tempo olhando para meu corpo, ele começou a “alisar” minha barriga com suas mãos.
- Para, Pedro! – Eu disse ao perceber que ele ia rasgar meu short também.
- Eu ainda tenho muito tempo pra fazer isso... – Disse ele largando meu short, e se levantando. – Depois eu continuo!
- Pedro, pode deixar ela comigo agora. – Bárbara falou pondo sua mão no ombro do Pedro.
- Ok! – Respondeu ele se retirando do lugar.
- O que você vai fazer agora? – Perguntei pra Bárbara, que estava com uma expressão nada boa.
- Por enquanto nada. – Disse ela pondo meu celular em cima de uma mesinha que havia por lá. – Sua mãe percebeu que você não passou a madrugada em casa, e colocou a polícia atrás de você. O Justin está doidinho procurando por você. Tadinho! Quando ele vier te achar você já vai estar morta e enterrada.

Coração Partido (21)


- O QUÊ? Sangue... Você vai me matar? – Não estava acreditando no que eu havia acabado de escutar.
- Você não merece viver.
- Só me diz uma coisa... Por que está fazendo isso?
- Quer saber o por quê? Quer mesmo saber o por quê? Simplesmente porque você não merece ser feliz, porque você não merece ser amada, você não merece a vida que tem, não merece nada. N-A-D-A! Você desde pequena vem atormentando minha vida. Me diz: Porque você existe? Pra estragar de vez com a minha vida, só pode ser isso. – Notei que havia algo em suas mãos, que estava escondida atrás dela. – Agora olha só o que eu vou fazer...
                Ela me mostrou uma pequena faca.
- O que você vai fazer com isso, Bárbara? – Minhas pernas tremiam de tanto medo.
- Vou começar a minha brincadeirinha.
                Ela se aproximou de mim, e pôs a faca em cima de minha perna, apenas encostando de leve.
- Por favor, não faz isso... Não faz isso...
- Jurei pra mim mesma que eu iria te fazer sofrer.
- Para com isso... Você não tem coração não?
- Tinha... Até você arrancá-lo de mim.
- Hã? Eu? O que eu fiz?
- Você... Teve um pai que te amava, teve uma mãe, amigos e até um namorado. Enquanto, eu não tive pai, minha mãe só mimava você, nunca tive amigos e meu namorado só me quer para os planos dele.
- Mas o que isso tem a ver em eu arrancar seu coração?
- Você teve a felicidade que eu nunca tive... Você teve a felicidade que meu coração era pra ter e não o seu.
- Você me culpa por não ser feliz?
- Claro! De quem mais seria a culpa, se não ser sua?
- Bárbara, você já não está falando coisa com coisa. Por acaso você usou drogas?
- Isso não é da sua conta. Agora já chega... Vou terminar o que comecei.
                Ela pôs a faca novamente em minha perna.
                                
- Bárbara! Não faz isso... Pelo menos não agora. – Disse uma voz que não me parecia ser estranha.
- Pedro? – Perguntei confusa.
- Oi, amorzinho! – Ele falou se aproximando mais.

                Pedro Cunha era um garoto “popular” da minha escola. Ele costumava andar com a Mandy, uma das garotas mais fresquinhas que tinha por lá. Eu notava que às vezes ele me olhava, mas pra mim seu olhar era como desprezo. Ele era o tipo de pessoa em que toda garota não queria pra namorar, pois ele não sabia valorizar uma mulher. Eu fiquei surpresa quando ele falou “amorzinho”. Como assim... Ele gosta de mim? Esse garoto só costuma ficar com as mais bonitas e as mais bem vestidas da escola. O que deu nele?

- Hã? Não estou entendendo nada. O que você está fazendo aqui?
- Lembra daquela quarta-feira em que eu e o Rafael brigamos?      (Pra quem não lembra, a briga foi na parte 2)
- Lembro sim, o que é que tem?
- Nós estávamos brigando por você.
- Por mim? Mas por que por mim?
- Porque nós somos apaixonados por você!

o_O’      O Pedro e o Rafael, os “melhores da escola”, são apaixonados por mim? Wow, isso é... Louco, muito louco!

- Vocês são o quê? Ah, deixa isso pra lá... Só me diz uma coisa: o que você está fazendo aqui?
- Semana passada eu fui falar com você, mas você não deu à mínima, eu disse que era importante, e mesmo assim você nem ligou. Naquele dia eu iria me declarar pra você. Eu sempre tentei, mas sabe... É difícil! Antes, quando você não era popular...
- Eu não sou popular. – O interrompi.
- Que seja! Quando você não era tão conhecida como é hoje, eu tinha medo do que as pessoas poderiam falar de mim se eu expusesse esse sentimento que sentia por você. Eu sei que eu estava errado em pensar assim, mas é que eu não queria deixar de ser quem eu era. Sabe, quando eu era menor eu sofria bullying por ser gordinho, e quando eu cresci e emagreci as pessoas começaram a me dar valor. Eu não queria sofrer de novo, mesmo sendo por amor.
- Então isso que você está fazendo agora é uma vingança?
- Digamos que sim.
- E o que você vai fazer comigo?
- Você saberá mais pra frente. – Ele sorriu maliciosamente.
- Você... Você não seria capaz... Ou seria?
- Hahaha’ Você não me conhece, amor!
- Pedro,Pedro! Se você ama de verdade você tem que me tirar daqui.
                Ele não me deu ouvidos e foi embora.
- PEDRO! VOLTA AQUI!
               
                Um tempo se passou, e eu continuava ali. Provavelmente seria lá pelas três ou quatro horas da madrugada. Eu estava com a mesma roupa em que sai de casa, um pijama. Eu ainda estava a chorar, mas não tanto quanto antes, minhas mãos ainda estavam suando frio. A única coisa que eu conseguia pensar era em Justin e em minha mãe. A Bárbara havia sumido daquele lugar, só tinha um segurança armado que estava olhando o lugar. De repente sinto uma mão passando pelos meus ombros. Fiquei apavorada.
- Calma maninha!
- Como você ainda tem a coragem de me chamar de maninha?
- Hahaha... Amo ver você assim.
- Bárbara,já chega! Me solta...
- Eu não vou te soltar. Você acha que manda em mim? Há-há-há’ Você não manda não.
- Cara, você não presta!
- Cala a boca, idiota! Sabe o seu namoradinho?
- O que tem ele?
- Eu já dei uns pegas nele.
- O QUÊ?
- HAHAHAHAHAHA’ Isso mesmo que você ouviu queridinha, eu já fiquei com seu namoradinho.
- Você está mentindo! Não adianta você dizer essas coisas, eu não vou acreditar em você.
- Se quiser acreditar, acredita... Mas se não quiser o problema é teu. Você nunca vai saber a verdade mesmo.
- Você vai mesmo ter a coragem de me matar?
- Você pergunta demais... Bom, agora eu vou continuar o que foi interrompido pelo Pedro.
- NÃO, NÃO! BÁRBARA!
                Ela pegou novamente aquela faca e pôs sobre a minha perna, encostando de leve.
- Prepare-se pra sofrer, Victoria!
                Ela apertou a faca fazendo provocar um pequeno corte. Não sei por que, mas ela não apertou muito forte. Na hora eu gritei de dor. Eu não gostava de ver sangue, aquilo me embrulhada o estômago.

...

Coração Partido (20)


- Oi, querida! – Pattie disse ao abrir a porta. – Pode entrar, Justin está se arrumando.
- Olá, tá bom! – Disse entrando.
- Se quiser subir, pode subir. Ele deve estar arrumando o cabelo. – Ela deu uma risadinha baixa.
- Hahaha’ Ok, vou lá ajudá-lo.
                Subi as escadas, e ao chegar em frente ao quarto do Justin bati na porta.
- Entra! – Ele gritou lá de dentro.
- Oi! – Sorri ao entrar. – Já está pronto?
- Já sim, só falta eu dar um toque no meu cabelo.
- Tá bom.
                Me sentei na cama e fiquei o olhando. _ Ele é tão... Tão perfeito! Por que ele foi me escolher? Por que justo a mim? Será que eu o mereço? Ai ai’ Eu o amo mais do que a mim mesma! Se alguma coisa acontecesse com ele eu nem sei o que faria.

- Vamos? – Ele perguntou.
- Vamos! – Sorri.
                Ele me estendeu a sua, para que eu me levantasse. Descemos, nos despedimos da Pattie e fomos embora. Ao chegarmos à festa, encontramos Ryan, Chaz, Chris, Jaden, Jasmine... Bom, pra resumir, encontramos a maioria dos amigos do Justin lá. Nos divertimos muito, e dançamos muito também, lá na festa só tocava música boa. E foi lá pelas nove horas da noite resolvemos voltar pra casa, pois estávamos cansados.

- Prontinho, está entregue! – Estávamos em frente a minha casa.
- Obrigada, Justin! Me diverti muito hoje na festa! – Sorri.
- Eu também, amor! – Ele me beijou, e ficou me olhando por alguns segundos. – Tchau!
- Tchau, amor!
- Te amo!
- Também te amo, não se esqueça disso.
- Não vou me esquecer.
                Sorri. Ele me deu um selinho e foi embora. Fiquei o olhando até ele entrar em casa, depois entrei na minha.

- Oi, mãezinha! – Dei-lhe um beijo na testa.
- Oi, filha! Quer comer algo? Posso ir lá na cozinha preparar um lanchinho pra você.
- Não precisa mãe. Acabei de voltar da festa... Comi muito!
 - Tá bom, querida!
- Ér... Cadê a Bárbara?
- Saiu faz algum tempo e ainda não voltou. Por quê?
- Por nada. – Eu não estava preocupada com ela, só queria saber mesmo se ela se encontrava em casa. – Bom, eu vou subir pro meu quarto, tomar um banho e dormir. Estou morta de cansada!
- Ok! Boa noite!
- Boa noite pra senhora também!
                Subi para o meu quarto, tomei um banho, coloquei um pijama bem confortável e me joguei na cama. Eu estava pensando no Justin... Em como estávamos felizes juntos. Não sei o que eu faria sem ele, acho que eu morreria. Não conseguia tirá-lo de meus pensamentos, então decidi mandar uma mensagem pra ele.
               
“              Amor, não consigo dormir, estou pensando em você. Só quero que saiba que eu te amo muito, e que se acontecer algo comigo, quero que saiba que eu sempre te amei e sempre vou te amar onde eu estiver. Você é tudo pra mim!
                                                                              Beijos, Victoria!                               ”

                Depois de mandar a mensagem, coloquei o meu celular em cima do criado-mudo e fiquei a olhar uma foto minha com o Justin que estava lá em cima. Passam-se alguns minutos, meus olhos já não conseguiam ficar mais abertos, e sem perceber acabei dormindo.
               
Acordei no meio da madrugada com alguns barulhos vindo provavelmente da sala ou da cozinha. Eu, curiosa que sou, desci para ver o que era. Na sala não havia ninguém, fui à cozinha. Cheguei lá, acendi a luz e não vi ninguém. Desconfiada, desliguei a luz e sai da cozinha. Quando eu estava com o pé em cima do primeiro degrau da escada, sinto uma espécie de uma faca em minhas costas. Me virei lentamente pra ver quem era.
- BÁRBARA?
- Shhhhiu! Não faz barulho que vai ser pior. – Ela parecia estar fora de si.
- O... O que você está fazendo? – Comecei a ficar nervosa.
- Não fala nada, apenas vem comigo.
- Não, eu não vou a lugar nenhum com você.
- Vai vir sim. – Ela apertou meu braço e me puxou pra fora de casa.
                Ela me levou para um carro preto, me fez entrar lá a força. Notei que o Paulo estava dirigindo, e ao lado dele tinha outro homem no qual não consegui identificar.
- Para com isso... Para com isso! O que você está fazendo? – Eu estava completamente apavorada. – Bárbara, Bárbara!
- O que foi?
- O que você está fazendo?
- Eu já lhe disse pra não falar nada. Que garota insistente!
- Por que está fazendo isso comigo?
- CALA A BOCA! – Ela se alterou.
                Eu estava ficando a cada vez mais com mais e mais medo. Não sabia o que ela estava fazendo comigo, e nem o por que. Eu tinha medo... Medo do que ela poderia fazer comigo. Eu sabia que ela era capaz de fazer TUDO, até mesmo me matar.
- Vai, desce! – Ela me empurrou pra fora do carro.
                Entrei em uma casa, que parecia estar abandonada. Era ampla e suja.
- Paulo, amarra ela. – Escutei ela dizer para seu namorado.
- Tá ok.
                Ele veio andando até mim e a cada passo que ele dava, eu me distanciava. Ele me puxou pelo braço, e me sentou em uma cadeira. Ele pegou minhas mãos e amarrou, fez o mesmo com meus pés.
- Bárbara, o que eu te fiz pra você estar fazendo isso comigo?
- Garota, eu já te mandei calar a boca. Então faz o que eu te mandei, se não vai ser bem pior pra você.
                Comecei a chorar. Como ela podia chegar a esse ponto? Como ela podia ser tão má? Já não basta ela ter matado o papai, e agora ela vai querer matar a mim? Quem será o próximo ou a próxima... Talvez a mamãe? Será mesmo que ela seria capaz de matar a própria mãe? Eu nunca vi uma pessoa como ela, nem mesmo em novelas ou filmes.

- É agora que a festinha começa! – Ela deu um sorriso malicioso, e veio andando lentamente até mim. Me fazendo ficar com mais medo.
- O que você vai fazer?
- Calma é só uma brincadeirinha . Pode até ter um pouco de sangue mas não é nada demais .
...