- Bárbara, isso tá doendo! – Eu podia ver o sangue saindo do corte.
- É pra doer mesmo. – Deu uma risadinha malvada. – E vai doer muito mais.
Ela ia cortando a outra perna, quando alguém a chama.
- Que foi? – Perguntou ela se virando para ver quem tinha a chamado.
- Tem alguém ligando pro celular da Victoria. – Disse Paulo mostrando meu celular.
- Tá sem identificação?
- Não... Aqui tá dizendo: “Justin chamando”.
- Hm... O namoradinho da Vic... Que babaca! Liga pra namoradinha de madrugada, aff’ que melação! Me da aqui o celular. – Ela estendeu a mão.
- Toma. – Paulo disse ao chegar mais perto da Bárbara.
- Valeu! – Ela pegou o celular. – Fala pra ele que você o odeia, que não quer mais o ver e que está tudo terminado entre você e ele.
- Mas isso é mentira.
- Anda, diz logo o que eu mandei.
Ela atendeu o celular e o colocou em meu ouvido.
--- Ligação ---
- Alô, amor?! – Justin falou.
- Oi, Justin!
- O que você está fazendo?
- Bom, eu estava dormindo até você me acordar.
- Hahaha’ Desculpa! Eu precisava ouvir sua voz. Não estou conseguindo dormir direito... Sinto que acontecerá algo de ruim.
- Ah, não vai acontecer nada de ruim não.
- Eu espero que não mesmo! Posso ir aí ficar com você?
- NÃO! Quer dizer... Não.
- Por quê?
- Justin, preciso te dizer uma coisa.
- Fala.
- Eu acho que não sou a melhor garota pra você. – Comecei a chorar baixinho.
- Hã? Não entendi.
- Justin, eu sei que você entendeu. Não torne as coisas mais difíceis, por favor.
- Você está terminado... comigo?
- Vai ser melhor pra nós dois.
- Por quê? Por que você está fazendo isso comigo? Eu te amo, Vi! – Ele disse com uma voz de choro.
- Você vai encontrar alguém que te merece.
- Não, eu só quero você! Por favor, não faz isso comigo.
- Desculpa Justin, mas agora não dá pra voltar atrás. Por favor, não me procura mais.
- Victoria...
- Tchau! – O interrompi.
--- Ligação ---
Assim que a Bárbara desligou o celular, eu desabei a chorar. Aquelas palavras que saíram da minha boca doíam mais do que qualquer corte. Eu sei que eu poderia morrer ali mesmo, e eu não queria que minhas últimas palavras fossem aquelas. A Bárbara sabia muito bem me torturar. Ela sabia que às vezes as palavras doíam mais do que qualquer coisa pra mim.
- Ount, a coitadinha está de coração partido agora? HSUAHSUAHSUAHSUA’ Que lindo!
- Você é uma cobra! Te odeio!
- Também te odeio, irmãzinha!
Ela foi andando pra saída, e mais uma vez desapareceu. Fiquei ali sozinha novamente. O que mais me doía era saber que eu não podia nem ao menos me despedir das pessoas que eu amo, isso era horrível. Eu sei que a Bárbara teria sim coragem de me matar, já que ela matou o papai. Eu queria sair dali, queria ir pros braços de Justin novamente, olhar em seus olhos e dizer que eu o amo, eu queria que tudo aquilo que estava acontecendo fosse apenas um pesadelo. Eu ainda não entendo o por que da Bárbara ser assim... Não entendo por que ela é tão má, tão sem coração.
Pude notar que se passou um bom tempo. O dia já estava esclarecendo, pude ver pelas janelas os raios de sol entrando e esquentando a minha pela. O corte já estava cicatrizando, mas eu ainda estava chorando.
- Oi amor, vamos brincar um pouquinho? – Disse Pedro se aproximando.
- Pedro, Pedro! Me tira daqui...
- Ah, vamos brincar, por favor... Vai ser divertido!
- Pedro, o que você vai fazer?
- Brincar, eu já disse.
Ele se aproximou mais de mim, seu rosto ficou a poucos centímetros do meu, e quando ele foi me beijar eu virei o rosto.
- Por que você não quer me beijar? Você não tem mais namorado...
- Eu não quero te beijar porque eu não tenho vontade.
- Mas você vai me beijar. Nem que seja a força...
Ele segurou minha cabeça com muita força e me deu um selinho. Eu fiquei pressionando meu corpo contra a cadeira. Depois que ele se afastou, eu cuspi no rosto dele.
- Cachorra! Por que você fez isso? – Ele limpava seu rosto com muita força, que provavelmente seria por causa da raiva.
- Você ainda me pergunta por quê?! – Eu fazia cara de nojo.
- Sua... Sua... Aaaah’ – Ele me deu uma tapa no meu rosto.
Eu virei meu rosto, que depois da tapa havia ficado vermelho, com os cincos dedos dele marcado em minha face. Ele puxou o meu cabelo pra trás, me fazendo quase cair junto com a cadeira.
- Você ainda vai me pedir pra eu te beijar... Você ainda vai suplicar por isso...
Se não bastasse uma tapa no rosto e um puxão de cabelo, ele por pura maldade rasgou minha blusa, me deixando apenas de sutiã e short. Após um longo tempo olhando para meu corpo, ele começou a “alisar” minha barriga com suas mãos.
- Para, Pedro! – Eu disse ao perceber que ele ia rasgar meu short também.
- Eu ainda tenho muito tempo pra fazer isso... – Disse ele largando meu short, e se levantando. – Depois eu continuo!
- Pedro, pode deixar ela comigo agora. – Bárbara falou pondo sua mão no ombro do Pedro.
- Ok! – Respondeu ele se retirando do lugar.
- O que você vai fazer agora? – Perguntei pra Bárbara, que estava com uma expressão nada boa.
- Por enquanto nada. – Disse ela pondo meu celular em cima de uma mesinha que havia por lá. – Sua mãe percebeu que você não passou a madrugada em casa, e colocou a polícia atrás de você. O Justin está doidinho procurando por você. Tadinho! Quando ele vier te achar você já vai estar morta e enterrada.
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